kantramor

Histórico de Katranmor

By Fabio

 

Falar sobre o nobre anão Kantramor lâmina brilhante é algo imensamente gratificante, pois, ao menos para mim, nada é mais importante do que a sua própria vida e daqueles que nos amam e foi exatamente isso que Kantramor me proporcionou num passado não tão distante.

Me chamo Climp, carinhosamente chamado de anão de jardim. Recebo essa alcunha pelo fato de ser um gnomo e ter sido adotado por uma senhora anã. Minha mãe adotiva conta que durante uma das diversas guerras territoriais contra as raças selvagens da montanha boca do deserto, eu fui encontrado, ainda criança por uma comitiva anã que retornava do ninho das águias, um posto avançado que ficava próximo a capital do vale da adaga. Essa comitiva estava em apoio a Randal Morn contra os zentharins oferecendo um refúgio temporário para a população civil. Meus pais verdadeiros ou qualquer outro gnomo não foram encontrados junto a mim, ao menos, foi o que me foi dito.

O clã anão, lâmina brilhante, cumpriu muito bem seu apoio a Randal Morn, para nós refugiados não faltava nada. Além da proteção, os senhores anões nos proviam com toda água e comida necessária, não havia fartura, porém, éramos tratados com respeito e dignidade. Como os tempos eram difíceis, todos tínhamos que auxiliar com tarefas diversas, eu por ser ainda criança, fui levado para a casa de um lorde anão de grande prestígio entre o clã. Com o passar dos dias trabalhando na casa, a filha desse lorde desenvolveu afinidade por mim. Com o passar do tempo, os conflitos e as turbulências no vale da adaga cessaram, ao menos temporariamente. Como os refugiados não eram escravos, mas sim hospedes, eles eram livres para deixar a vila de StoneHome e retornarem aos seus lares e afazeres cotidianos no vale da adaga. E assim aconteceu, dia após dia as diversas famílias de refugiados iam deixando stonehome e retornando para o vale. Como eu não tinha família nem amigos acabei permanecendo por ali.

Cerca de algumas luas depois após o retorno de todos refugiados, ouvi gritos e risos de felicidade na casa na qual eu trabalhava. Tratava-se da filha do senhor anão, ela havia descoberto que estava gravida. Seu casamento com o herói anão havia dado fruto logo cedo. As duas famílias de prestígio regozijavam com tamanha benção de moradin, um filho de um dos mais notáveis guerreiros do clã com a filha de uma das famílias mais nobres e poderosas de fato era algo a se festejar. Nunca servi tanto hidromel e rum naquela noite, me lembro que os festejos duraram dois dias inteiros e se estenderam a quase todos os cidadãos da vila. Como dava gosto de ver a felicidade estampada nas faces de todos, principalmente da futura mamãe.

Se minha memória não falhar, acredito que dois meses após um acordo com Randal Morn foi enviada uma companhia de guerreiros anões para apoiar na retomada do vale da adaga. Alguns dias se passaram e mais uma vez pude ver os majestosos portões de StoneHome se abrirem, só que dessa vez a cena vista foi lastimável. Da imponente companhia de guerreiros que saíram, apenas alguns retornaram e a maioria em estados deploráveis, rapidamente olhei para a minha senhora e pude vê-la fitando os poucos sobreviventes que ali estavam. Só de me recordar do grito de desespero emitido por ela, após descobrir que seu marido e pai do filho que espera em seu ventre não conseguiu retornar. Os guerreiros informaram que viram seu comandante tombar em uma das batalhas mais sangrentas do vale contra os zentharins.

Minha senhora, entrou num estado de tristeza tão grande que parece todos na vila ficaram juntos. O envio de guerreiros anões sessou, ao menos por um tempo e o luto prevaleceu na vila. Fiquei vários dias e várias noites sem ver minha amada senhora, apenas podia ouvir tentativas de animá-la. Frases do tipo: “Você precisa se alimentar”; “Você está aguardando um filho, ele precisa de você”. Noite após noite pude ver, minha senhora, definhando, o luto pela morte de seu marido parecia infindável.

O lorde anão desesperado com a saúde de sua filha e de seu neto ainda no ventre da mãe, imediatamente convocou todos os sacerdotes de Moradin de StoneHome. Iniciou-se uma sequência interminável de preces e orações. Diversos sacrifícios e incontáveis metais preciosos, tudo, absolutamente tudo que os sacerdotes pediam o lorde anão providenciava. Numa dessas corriqueiras cerimonias pude notar um sacerdote anão que se distinguia dos demais, ele era mais discreto, quase imperceptível. Não possuía vestimentas nobres, tão pouco, procurava algum tipo de conhecimento. Não contive minha curiosidade de gnomo e procurei me informar. Descobri dentre os serviçais que se tratava de Kantramor, um sacerdote pouco conhecido, no momento era um ajudante do sumo sacerdote de StoneHome.

Acabei não me importando no momento e o ignorei. Cerca de três ou quatro noites após a ida deste sacerdote a casa de minha senhora, ele me puxou pelos braços e afastando-me da pequena multidão de sacerdotes e servos que rotineiramente cercavam os aposentos de minha senhora me disse, com um olhar firme: “Preciso ficar sozinho com ela, você é o gnomo que sempre a acompanhou e serviu, estou certo? Fiquei assustado com este questionamento, ainda mais pela forma tão reservada. Porém respondi que sim, de fato eu era o único criado que, minha senhora, tratava quase como um filho. Katranmor prosseguiu: “Sei como salvar sua senhora, porém terei que ficar sozinho com ela, você consegue assegurar isso para mim? Fiquei assustado, receoso, porém sabia mais do que ninguém que se nada fosse feito, minha senhora, e seu filho morreriam ali mesmo, naquele quarto e sendo bem honesto, eu temia pela minha permanência naquela casa após a morte dela, já que ela me tratava como um filho e me concedia muitos privilégios. Após pensar por alguns segundos, respondi que era possível sim. Dei-lhe todas as coordenadas para que ele acessasse o leito dela durante a madrugada.

Chegada a hora exata, Katranmor acessou uma passagem secreta que apenas eu, além da família conhecíamos. Ele estava com um olhar ansioso, porém parecia saber exatamente o que tinha que fazer. Sem falar uma só palavra foi direto a cama onde repousava a minha senhora e deu-lhe um líquido desconhecido, minha senhora mesmo adormecida, pareceu beber. Tentei questioná-lo sobre o que seria aquilo, ele prontamente me olhou e me pediu para fazer silencio, não queria que os vigias que rotineiramente permaneciam de guarda do lado de fora dos aposentos ouvissem. Rapidamente, ele pegou de um bornal que trazia consigo uma quantidade de pó de algum metal, que para mim também era desconhecido, porém a tirar pela coloração eu arriscaria que seria chumbo. Após alguns minutos observando seu trabalho, pude notar que ele foi cuidadosamente colocando o pó do metal em torno da cama que ao final pude perceber que se formou um desenho de um martelo de combate. Como fui criado entre anões, conclui ser exatamente o símbolo de Moradin. Após isso ele parou em frente a cama e ajoelhou-se e começou a sussurrar uma prece para Moradin, conforme ele avançava nos sussurros, pude notar que o pó de metal envolto na cama começava a emitir uma luz forte e prateada, quando essa luz pareceu chegar no auge de sua luminescência, retirou de seu cinto um punhal que emitia, naquele momento uma luz semelhante à do pó de metal que formava o símbolo de um imenso martelo de luz prateada. Com o punhal em punho ele subiu na cama e ameaçou cortar o ventre de minha senhora, fiquei em estado de choque. Quais são as reais intenções desse sacerdote? Será que tudo isso foi para assassinar minha senhora e seu filho? Enquanto me questionava, comecei a notar que a luz prateada emitida pelo punhal e pelo pó de metal começou a diminuir. Katranmor enquanto levava o punhal para cortar o ventre de minha senhora, também notou e chegou a hesitar, aquele olhar outrora era confiante passou a ser questionador e receoso. O sacerdote começou a fazer sua prece novamente, a luz prateada ora ficava intensa, ora ficava fraca, ele começou transpirar bastante e até perder o controle. Notei pelo fato de suas palavras durante a prece gradualmente deixavam de ser sussurros e passavam a ficar altas, logo alguém ouviria eu pensei. Em meio a essa batalha interna que só era possível ser notada pelo vai e vem da luz, Katranmor, de maneira enérgica realizou um corte no ventre de minha senhora, que estranhamente não acordou, mesmo com a dor. Minha respiração e minha sanidade foram postas a prova e antes que eu perdesse completamente o controle, pude notar que o sacerdote iniciou uma espécie de cirurgia e que sua intenção era retirar o feto de dentro de minha senhora. Katranmor estava quase finalizando quando não aguentei gritei por socorro! Um dos guardas rapidamente abriu as portas e ficou paralisado com a cena. Poucos minutos depois muitas outras pessoas, inclusive, meus senhores, os pais dela, estavam dentro do quarto totalmente perplexos. Prendam-no! Mate-o! O pai rispidamente ordenou. Logo pensei no que eu havia permitido, afinal foi com minha ajuda que aquele sacerdote pode fazer aquilo que está fazendo. Mesmo com a ordem dada, Katranmor não parou, a luz prateada que ora acendia ora apagava, deixava cada vez mais de acender. Katranmor retirou o menino do ventre e ambos aparentavam não terem vidas, muitas pessoas a esta altura já estavam em prantos, os demais sacerdotes ali presentes estavam decepcionados. Katranmor rapidamente com a criança em mãos pegou um punhado de pó de metal que ainda lhe restava no bornal e atirou na face de minha senhora. Todos pararam alguns segundos para observar. Katranmor exibiu a criança para a mãe ainda desacordada e nada aconteceu. Ele começa a fazer uma prece, eu olho para aquele símbolo do martelo de Moradin feito pelo pó de metal e noto que já se faziam alguns segundos que ele sequer emitia um sinal de luminosidade. Eu finto meus olhos para Katranmor e o noto confuso, porém rezando para Moradin de tal forma que lagrimas escorriam de seu rosto. O silêncio foi rompido por mais um grito, agora além da raiva, tinha também uma voz de muito choro dizendo: “Mate esse infeliz”. Na sequência do comando, olhei para os dois guerreiros anões que ali estavam e ao vê-los seguindo com passos firmes em direção a cama para matar Katranmor, pude notar que todo o alvoroço causado, algumas pessoas com seus pés haviam espalhado o pó de metal que estava cuidadosamente colocado e o símbolo que ele formava deixou de existir. Eu até não sei explicar o porquê, mas me lancei na frente dos guardas e aos berros gritei: “O martelo foi desfeito! O martelo foi desfeito!”. Todos sem entender pararam para me olhar, Katranmor olhou para mim e me pediu para que reorganizasse o pó de metal, de tal forma que o martelo de Moradin ficasse na sua forma correta e em seguida para que apenas ele, o bebê e a mãe ficassem dentro do símbolo. Todos ainda muito confusos ficaram observando enquanto eu rapidamente reordenava todo o pó de metal e o sacerdote retomasse suas preces. Quando tudo estava novamente pronto, Katranmor prosseguiu com suas preces e a luz chamou a atenção de todos de tal maneira que fez com que ninguém falasse mais nada, apenas observavam o sacerdote. Notei que Katranmor estava muito nervoso, minha senhora, estava perdendo muito sangue, cada minuto ali aumentava ainda mais as chances de morte de ambos. O bebê ainda muito prematuro não havia dado um sinal de vida sequer. Em meio a tantos pensamentos tive a impressão de que a fé de Kantranmor estava severamente abalada com tudo que estava acontecendo. Me lembrei, também que fui eu o causador do grito que trouxeram todos ali e mesmo não sendo um seguidor de Moradin resolvi, mentalmente clamar pela misericórdia dele. Rezei com tanta fé, que comecei a chorar. Enquanto fechei meus olhos e orava, lembrei-me do quanto, minha senhora, era bondosa e alegre, lembrei-me do quanto de paz ela trazia para StoneHome e clamei por pode-la ver dessa forma por muitos e muitos anos. Durante minhas preces, ouvi vozes dizendo: “Olha! O que é isso?” Ao abrir meus olhos vi que o pó de meta estava mais reluzente do que antes, ao ponto do martelo de Moradin estar iluminando todo o quarto, Katranmor mais uma vez pega um punhado de pó de seu bornal e o atira sobre a face de minha senhora, dessa vez ela acorda meio confusa e assim que retoma pouco de sua consciência, Katranmor diz com uma voz bem firme: Olha, minha senhora, observe a sua descendência e a de seu esposo! Observe o guerreiro protetor de StoneHome! Observe o herói de Moradin. Que essa visão lhe cure o corpo, a mente e principalmente a alma. Que essa visão cure todo o nosso povo! Assim diz Moradin! Após ele proferir essas palavras a criança retomou o folego e chorou um choro fortíssimo, demonstrando estar bem de saúde. Minha senhora, começou a chorar e por conhecê-la bem, tive a certeza de que ela havia retornado. Toda e qualquer enfermidade que lhe assolava havia sido curada. Todos naquele recinto ficaram felizes e agradecidos. Todos naquele recinto tinham a plena convicção que Moradin havia escolhido dentre todos os seus sacerdotes presentes, apenas um para poder realizar o verdadeiro milagre. Por ser reconhecido como um sacerdote com poder de realizar milagres, a vida de Katranmor mudou drasticamente. Ele passou a fazer parte do conselho interno da vila e a participar ativamente nos assuntos políticos do clã lâmina brilhante. Por ele ter salvado a vida de minha senhora e de seu filho eu sou eternamente grato ao sacerdote Katranmor, porem não posso deixar de pensar que talvez com a minha prece eu também tenha ajudado a ele realizar aquele milagre. O que aconteceria se eu não realizasse minha prece? Bom acho que nunca saberei. Talvez nem queira saber.

Após os acontecimentos com a minha senhora, as batalhas se tronaram mais constantes contra os selvagens das montanhas boca do deserto.

 

Nunca mais tive informações sobre o sacerdote Katranmor, apenas que vive atualmente em Cachoeiras da Adaga. Todas as comitivas que chegam em StoneHome vindo da capital do vale da adaga, eu sempre procuro dentre os viajantes alguma informação sobre ele. Até o momento não tive mais nenhuma. Katranmor, sei que você talvez nem se lembre de mim, nem meu nome, mas onde quer que você esteja espero que continue a proliferar o nome de Moradin e seus milagres. Saiba que minha senhora e seu filho estão bem e que StoneHome vive um momento de paz e prosperidade. Que Moradin não lhe abandone e que sua fé nunca esmeressa.

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